Alcachofra - (Cynara scolymus L.)

Alcachofra

Família: Asteraceae (Compositae)


Nome Científico: Cynara scolymus L.


Sinonímia Vulgar: Alcachofra-rosa, alcachofra-de-comer, alcachofra-hortense, alcachofra-comum.


Sinonímia Científica: Cynara cardunculus L.

Descrição: 

 

A alcachofra é uma planta herbácea, perene, atingindo 1 m de altura, de caule estriado ou sulcado, brancacento, que brota todos os anos após o inverno, se o frio não for muito rigoroso. Forma uma roseta de folhas grandes e profundamente recortadas chegando os recortes à nervura principal, com pouco ou nenhum espinho. As folhas são carnosas, verde-claras, sobretudo na face inferior, cobertas de uma penugem branca que as empalidece. O pecíolo e a nervura principal são muito salientes. Quando a planta torna-se adulta, eleva-se um pedúnculo cilíndrico, sulcado, com poucas e  pequenas folhas. Na sua extremidade, surgem os capítulos recobertos de brácteas coriáceas e comestíveis, de cor roxa, tornando-se depois pálidas ou quase brancas. As flores são azuis de corola estreitamente tubulosas, longas, com 5 lobos lineares na extremidade. Os frutos têm uma coroa de cerdas
pilosas. O plantio deve ser feito em terrenos bem drenados, de acidez não muito elevada, e em solos sílico-argilosos. O nome genérico Cynara vem do latim “canina”, que se refere à semelhança dos espinhos que a envolvem com os dentes de um cachorro. Multiplica-se por sementes em covas ou sulcos.

Desde o século XIX que a alcachofra é utilizada para as doenças hepáticas e biliares.


Propriedades e indicações:


Os princípios ativos da alcachofra, que se concentram sobretudo nas folhas, são a cinarina (principio amargo) e alguns flavonoides derivados da luteína (É o principal antioxidante presente nas membranas oculares (retina e mácula). Colerética (aumenta a secreção da bílis), Hepatoprotetora (anti-tóxica): recomenda-se nos casos de dispepsia ou cólica biliar e de insuficiência hepática – indicada em caso de hepatite.


Hipolipemiante: faz descer a concentração de colesterol e de outros lípidos no sangue, pelo que se torna muito recomendável no caso de arteriosclerose.


Hipoglicemiante: pelo seu conteúdo em inulina, favorece a diminuição do nível açúcar no sangue;


Diurética, depurativa e eliminadora de ureia: apropriada no caso de insuficiência renal e na albuminúria.


Parte Usada: Folhas.


Formas Farmacêuticas: Infuso, decocto, tintura ou extrato fluido.


Emprego: Moléstias do fígado, regulador da função biliar, estimulante renal.


Ensaios químicos: comprovaram sua ação hepatoprotetora e ainda reguladora dos níveis de colesterol e triglicérides. As folhas contêm substâncias que apresentam atividades analgésicas. Não apresenta efeito colateral, e foram observadas leve atividade sedativa (que parece estar dissociada da ação analgésica) e atividades bactericida e fungicida, ainda não muito estudadas. O infuso e o decocto a 2,5% são usados de 50 a 200 ml ao dia. O extrato é usado de 1 a 5 ml ao dia e o xarope de 10 a 50 ml ao dia. A manipulação da planta deverá ser feita com material seco.


Constituição Química: Seu óleo essencial contém ß-selineno e cariofileno, e os óleos fixos estão representados pela cinarina, que é um dos derivados do ácido cafeico, e pela cinaropicrina (principal componente das substâncias amargas), corantes antocianínicos, flavonoides livres e glicosilados. Possui tanino, carboidratos (sacarose, frutose).


Interações Medicamentosas: e Associações Pode ser associado à bétula, celidônia, genciana, alecrim ou dente-de-leão para potencializar os efeitos colagogo e colerético. No tratamento de colesterolemia (abaixa o colesterol total e o LDL) e hepatopatias, pode combinar-se com cardo mariano, genciana, dente-de-leão e alecrim.

 

Prejudicial quando utilizado com diuréticos, porque pode haver queda do volume sanguíneo gerando queda de pressão arterial. Essas interações são
mais acentuadas com diurético de alça (furosemida) e tiazídicos (cortalidonas e hidroclorotiazida e indapamida). A alcachofra provoca a perda de potássio e pode haver a possibilidade de hipocalemia.


Contraindicação: Não deve ser usado por mães que amamentam e em casos de fermentação intestinal. E não deve ser usada por pacientes alérgicos ou que possuam hipersensibilidade a outras plantas da família Asteraceae, assim como aos pacientes que tenham obstrução do ducto biliar.


Toxicidade: Pode reduzir a secreção láctea e produzir dermatite de contato, urticária e reação alérgica. Considerada segura como flavorizante em bebidas alcoólicas.

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