Amburana

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)


Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae)


Ordem: Fabales


Família: Fabaceae (Papilionoideae, Leguminosae)


Espécie: Amburana cearensis (Freire Allemão) A. C. Smith, Tropical Woods, 62:30, 1940.


Sinonímia botânica: Amburana claudii Schwacke & Taubert; Torresea cearensis Freire Allemão


Nomes comuns: cerejeita, ambaurana, amburana, amburana-de-cheiro, angelim, baru, cabocla e imburana-cheirosa, cerejeira-rajada, cumaré, cumaru, cumaru-de-cheiro, imburana-brava, cumaru-do-ceará, cumbaru, cumbaru-das-caatingas, emburana, imburana, imburana-de-cheiro, louro-ingá, umburana, umburana-lisa, umburana-macho, umburana-de-cheiro,umburana-vermelha, ishpingo, palo, trébol, roble criollo e tumi.

Amburana cearensis é uma árvore árvore pequena na Caatinga, de 4 a 10 m e de 20 m na mata pluvial, caducifólia. A casca é vermelho-pardacenta, lisa suberosa e fina, com 7 mm de espessura, descamando em lâminas delgadas. A ramificação é dicotômica. Copa achatada e curta na Caatinga e alta, larga e umbeliforme na floresta.

As folhas são compostas de 10 a 15 cm de comprimento e 11 a 15 folíolos de 1 a 2 cm de comprimento. Os folíolos são ovados, emarginados, mebranáceos, gabros, com nervação impressa.

As flores são quase sésseis, amarelo-pardacentas, perfumadas e se reúnem em medindo de 3 a 6 cm e esses em panículas de 6 a 10 cm, as quais se inserem em ramos desfolhados. O fruto é um legume preto e estriado por fora, amarelo e liso por dentro, delgado, duro, monospermo, medindo de 7 a 9 cm de comprimento por 2 de largura.

A semente é exalbuminosa de formato elíptico, oblongo e ovóide. O tegumento apresenta textura lenhosa, sendo a testa de coloração marmoreada, rugosa e opaca. O comprimento varia de 13 mm a 18 mm e a largura, de 8 mm a 12 mm. Possui ala, o que indica que sua dispersão é anemocórica.

Aspectos reprodutivos e Fenologia

É planta hermafrodita, cuja polinização é realizada principalmente por abelhas. A dispersão, anemocórica, ou seja, pelo vento, visto que suas sementes são dotadas de alas, forma muito comum de dispersão de sementes em matas secas (germinação). A floração é de abril a junho e frutifica nos meses de julho a setembro.

Aspectos ecológicos

É classificada como pioneira, mas é tolerante à sombra em algumas situações de regeneração sob dossel de mata. É uma planta decídua, heliófita, seletiva xerófita, características de afloramentos calcários e terrenos secos em matas decíduas.

A espécie apresenta ampla distribuição na América do Sul, sendo característica de Floresta Estacional. Também ocorre em Floresta Estacional Semidecidual, restrita aos afloramentos rochosos ou calcáreos, em Floresta Estacional Decidual Submontana, em Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) até a Caatinga/Mata Seca.

A sua ocorrência no Cerrado e no Pantanal restringe-se às manchas de florestas estacionais de afloramento calcáreo e suas zonas de transição com o Cerrado em áreas bem drenadas e de moderada a elevada fertilidade.

No Sudeste da Amazônia (Rondônia, Acre e Amazonas) ocorre a Amburara acreana, com características muito próximas a A. cearensis.

Área de ocorrência

Amburana cearensis pode ser observada em praticamente toda América do Sul (do Peru à Argentina). Na região semi-árida ocupa áreas consideráveis de todos os estados do Nordeste brasileiro e se estende até Minas Gerais, abrangendo cerca de um milhão de km² . Sua distribuição geográfica abrange as latitudes de 3º S (Ceará) a 25º S (Argentina), nas altitudes de 10 m a 1.500 m.

Clima e Solos

A precipitação média anual varia desde 440 mm a 2.000 mm, com chuvas distribuídas uniformemente a periódicas, com estação seca pronunciada de moderada a forte, com duração de até 9 meses. A temperatura média anual é de 19,5ºC a 27,6ºC, sendo raras as geadas (média de zero a duas). Os tipos climáticos em que a cerejeira ocorre naturalmente são: Semi-Árido (Bsh), tropical (Aw), subtropical de altitude (Cwa) e subtropical úmido (Cfa).

A cerejeira ocorre em solos de textura franco e argilo-arenosos e profundos na meia-encostas da Caatinga e em afloramentos calcários. A sua ocorrência no Cerrado e no Pantanal se dá em áreas cem drenadas e de moderada a elevada fertilidade. Em plantios, mostrou-se sensível à salinidade do solo.

Produtos e Utilizações

Casca e sementes: são tradicionalmente utilizadas no tratamento da asma, tosse e bronquite. Das cascas do caule já foram isoladas várias substâncias, incluindo cumarina, isocampferídio, fisetina, alfalona e amburosídio.

Flores: sua floração durante o período seco indica a importância da cerejeira como fonte de alimento para a entomofauna quando há pouca oferta de recurso, principalmente no caso da Caatinga.

Sementes: fornecem cerca de 23% de um óleo fixo constituído principalmente dos glicerídios dos ácidos: palmítico, linoléico, oléico e esteárico. Contêm ainda uma proteína inibidora que é capaz de inativar a tripsina e o fator de coagulação XII. A referida proteína constitui-se, por isso, numa ferramenta útil para o estudo da fase de contato da coagulação sanguínea. Nas sementes são encontrados também cumarina e 6-hidroxicumarina. Avaliou o efeito alelopático do extrato aquoso das sementes de cerejeira em alface, picão e carrapicho, como potencial herbicida natural. Houve presença de fitotoxicidade e, confirmada ação alelopatia promovida pelo extrato aquoso de sementes de cerejeira a partir de 0,78 mg/ml para a inibição da germinação das sementes e do desenvolvimento das plântulas. No caso do carrapicho, apenas a cumarina pura inibiu a germinação dessas sementes.

Conservação de Recursos Genéticos

Amburana cearensis é uma espécie em risco de extinção no Brasil e no Paraguai. No Brasil, ela está sendo conservada ex situ pelo Cenargem/Embrapa e recomenda-se sua conservação in situ.

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