BABOSA (Aloe vera L.)

BABOSA


Família: Liliaceae


Outras espécies: Aloe barbadensis Mill. Aloe arborescens Mill.


Sinonímia: Babosa folha miúda; Babosa folha grande; Erva Babosa; Caraguatá; Aloé


Origem: Sul da África; Regiões quentes da Europa e América do Sul.


Descrição: Planta perene, herbácea, estolonífera, raízes longas e de um amarelo intenso, internamente. Caules tenros, eretos ou levemente decubentes.

Folhas carnosa, simples, alternas, sésseis, tenras, grossas, longas, lanceoladas, acuminadas, bordos com fortes dentes espinhosos e dispostas em grandes rosetas.


Esta espécie tem as folhas verde-escuras e sem manchas em ambas as faces. Flores vermelhas, actinomorfas, hermafroditas com o perigônio tubuloso formado por seis tépalas. Estames em número de 6, mais longos que as tépalas, com filetes subulados e antera oblongas. Ovário trilocular e trígono, com os lóculos pluriovulados e o estilete filiforme. Inflorescência em rácimos. Frutos na forma de cápsulas trígonas e deiscentes, com três lóculos. Sementes pequenas, aladas, numerosas e escuras não tolera solos encharcados. Exigente em solo fértil para um bom rendimento. Responde bem a fósforo e potássio.


Uso farmaco-terapêutica: Queimaduras, anti-oftálmica, entorses, contusões, rebites, hemorróidas, dores reumáticas e queda de cabelo.


Propagação: Perfílhos com raiz


Parte utilizada: Folha; Seiva e polpa

Ayurveda: É considerada um dos principais tônicos hepáticos, tonificando todos os fogos digestivos (agni) ao mesmo tempo. O gel deve ser usado sem resquício da casca.

Aspectos energéticos: Sabor (rasa): amargo/adstringente/doce/picante.

                                           Efeito energético (virya): frio.

                                           Efeito pós-digestivo (vipak): doce.

Atuação nos Doshas: Vatta: aumenta.

                                         Pitta: reduz.

                                         Kapha: reduz.

É considerada uma planta masculina.

Revisão das Interações:

 

(Babosa gel): O gel da babosa contém somente traços de glicosídeos de antraquinonas, e, portanto, não se esperaria nenhuma das interações relatadas para o látex da babosa, ou medicamentos fitoterápicos similares, que ocorrem, ou é previsto que ocorrem, como resultado de seus conteúdos antraquinônicos. o gel da babosa pode apresentar propriedades hipoglicemiantes e pode, portanto, ser esperado que ele interaja com medicamentos convencionais que provoquem o mesmo efeito. ele poderia aumentar a absorção de algumas vitaminas, mas a importância clinica desses dados ainda não é clara.

(Babosa - Látex): Embora se espere que os constituintes antraquinônicos interajam com vários medicamentos que diminuem os níveis de potássio (com corticosteroides e diuréticos de pletores de potássio), ou medicamento em que o efeito se torna potencialmente perigoso quando os níveis de potássio são diminuídos (como a digoxina), as evidencias diretas de que isso ocorra na prática parece não existir ou serem muito pequenas.


Constituintes químicos principais: Ácido tânico, acético, gálico e málico; aloina; dapomina; espinefrina; serotonina; tiramina; além de vitaminas, carboidratos, proteínas e sais minerais.


Formas farmacêuticas habituais: Resina, polpa, tintura e suco das folhas.


Indicação, Preparo e Posologia: antiinflamatória; analgésicas; antiséptica; emoliente; adstringente; colerética; vulnerária e anticancerigena.


a) Suco - Uso interno do suco fresco como anti-helmintico; b) Cataplasma - aplicar sobre queimaduras 3 vezes ao dia;

c) Supositório - em retites hemorróidas;


d) Resina - é a mucilagem após a secagem. Prepara-se deixando as folhas penduradas com a base cortada para baixo por 1 ou 2 dias, esse sumo é seco ao fogo ou ao sol, quando bem seco, pode ser transformado em pó. Tomar 0,1 a 0,2g. O pó dissolvido em água com açúcar, como laxante;

e) Tintura - usam-se 50g de folhas descascadas, trituradas com 250ml de álcool e 250mL de água, a tintura é coada em seguida. Deve ser utilizada sob a forma de compressas e massagens nas contusões; entorces e dores reumáticas.

A babosa, também chamada de aloés, é uma planta conhecida popularmente como ornamental e medicinal.
Como ornamental dá um bom efeito pelas suas folhas longas, grossas, largas na base e terminando em ponta, com espinhos nos lados, e que nascem ao redor de um caule central. Quando floresce, nasce entre as folhas uma longa haste, em cuja ponta se forma um cacho vermelho ou amarelo de flores em forma de tubo, que vão caindo, enquanto novas desabrocham. Como é uma planta perene não precisa ser replantada. Do seu pé nascem brotos, de modo que aos poucos se forma uma touceira bem fechada. Cada broto é uma nova muda que basta destacar e plantar.


Como medicinal a babosa é conhecida e usada desde a antiguidade, e em nossos dias volta a ter, ou continua tendo, as mesmas aplicações e mesmo encontrando novas. Da Bíblia sabemos que fazia parte de uma composição para embalsamar corpos, como o de Cristo.


Gregos e romanos a usaram em suas medicinas. Árabes popularizaram seu uso na Península Ibérica. Do suco que escorre de suas folhas cortadas se obtém por desidratação uma resina, chamada pelos espanhóis ‘acibar’, muito empregada em outras épocas. Talvez o uso mais importante hoje, na medicina popular, como na clássica, é no tratamento de queimaduras. Por isso a indústria cosmética a usa na preparação de loções contra queimaduras do sol, nos bronzeadores. Médicos americanos usam o suco da babosa para tratar queimaduras nucleares e de outras radiações. Uma grande empresa petrolífera nossa, há mais de seis anos não usa outra coisa, no setor médico, para queimadura senão a babosa. Daí a importância de ter um pé de babosa na propriedade, e perto de casa.

 

Acontecendo uma queimadura é só cortar uma folha e aplicar o suco que escorre, sobre a ferida. Este suco da babosa tira a dor, evita infecção e produz uma rápida cicatrização, sem mesmo deixar cicatrizes. Pode-se também reduzir uma folha a uma pasta, depois de retirar os espinhos, aplicando a pasta sobre a queimadura. Outra maneira é cortar a folha, que é grossa, em fatias finas e aplicar estas sobre o local ferido. Parece que a pele absorve toda a substância da folha de maneira que fica só uma camada fina como papel.


Externamente a babosa é ainda usada em inflamações e tumores e, em solução fraca em água, para lavar feridas e os olhos. É usada, ainda, para queda e tratamento do cabelo.


Para uso interno da babosa recomenda-se muito cuidado. Ela é muito forte e pode causar problemas até graves. O suco das folhas é usado para o estômago e o fígado. É usado como laxante em preparações farmacêuticas.

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