Camapu (Physalis angulata L.)

Physalis angulata L.
Physalis pubescens L.

Camapu

Familia: solanaceae

Nome cientifico: Physalis angulata L.

NOMENCLATURA E SIGNIFICADO: ACAMAPÚ vem do tupi guarani e significa “Fruto com capa ou cobertura que estala” e de fato a palha ou capinha envolvente estala quando apertada. Também recebe o nome de Balãozinho, Juá liso de moita, Juá de capote, Mata fome, Fisalis do mato e Fisalis do campo.

Sinonímia: Physalis arenaria Hort.; Physalis angulata fo. ramosissima (Mill.) Stehlé; Physalis angulata var. capsicifolia (Dunal) Griseb.; Physalis angulata var. ramosissima (Mill.) O.E. Schulz; Physalis capsicifolia Dunal, Physalis esquirolii H. Lév. & Vaniot; Physalis dubia Lk.; Physalis flexuosa Russ.; Physalis ixocarpa Hort.; Physalis lanceifolia Nees; Physalis linkiana Nees; Physalis ramosissima Mill.

 

ORIGEM: Nativa de áreas campestres de locais férteis, ocorrendo na mata atlântica, Floresta semidecidua e na transição para o Cerrado. Ambas as espécies tem ampla distribuição pelo Brasil. 

Propriedades

As propriedades medicinais da fruta são incríveis e, dentre as conhecidas e comprovadas, sabemos que a fruta é excelente fonte de provitamina A, C e do complexo B e é rica em proteína e fósforo, que são ótimos para o crescimento, desenvolvimento e funcionamento dos diversos órgãos do corpo.

É diurética e ajuda a eliminar toxinas do corpo, purifica o sangue, ajuda a controlar o diabetes, tem efeito relaxante graças ao teor de flavonoides e ajuda a acabar com a fadiga mental.

Princípios Ativos

Fisalina, higrina, tropeina, proteinas, vitaminas A e C.

Indicação

Eficiente instrumento para o controle do sistema imunológico do organismo humano, reduzindo as chances de rejeição em transplantes e combatendo alergias[1]. Indicada também para diabetes, hepatite, asma, diurética.

 

OBSERVAÇÕES: O Camapú (Physalis pubescens) é planta bianual, com folhas grandes e facilmente identificada pela pubescencia (pelinhos curtos em toda a planta) e fruto amarelado; enquanto que o Juá de capote (Physalis angulata) é planta de ciclo curto e anual, sendo totalmente glabra (sem pelos) e produzindo frutos esverdeados mesmo quando maduros.

 

Características: Ambas são espécies herbáceas anuais ou bienais, ramificadas e formando touceiras de 30 a 80 cm de altura. Os ramos são angulosos (com quina, meio quadriláteros) com ramos glabros ou pubescentes (dependendo da espécie), quando novos os ramos e folhas são serosos (parece que são cobertos ou revestidos de cera). As folhas são simples, de textura membranácea (fina e delicada), alternadas, com base arredondada e ápice acuminado com margem ondulada em P. angulata; ou com base cordada (semelhante ao coração) e ápice agudo (ponta fina) com margem denteada em P. pubescens. A lamina foliar mede 3 a 6,6 cm de comprimento por 1,5 a 4,5 cm de largura; sob pecíolo (haste ou suporte) canaliculado (como calha), medindo 1.2 a 3,3 cm cm de comprimento. As flores surgem nas axilas das folhas, são solitárias e com sépalas concrescentes e unidas com formato de balão que se abrem na antese ou abertura da flor expondo pétalas amarelo escuras e tornando a fechar após a fecundação e formação do fruto. Os frutos são bagas globosas com casca fina alaranjada ou esverdeada envolvendo polpa agridoce com muitas sementes pequenas de coloração semelhante a cor da pele. Os frutos estão protegidos por capas semelhantes a um pequeno balão inflado. Cada fruto sem a proteção tem diâmetro que varia de 1 a 2 cm.    

 

Dicas para cultivo: É extremamente adaptável as condições climáticas, apreciando luminosidade e não sol direto. A espécie de P. angulata prefere ser cultivada no inverno de maio a setembro. Na natureza a planta nasce nas bordas ou clareiras de florestas bem preservadas e não pisoteadas por animais como o gado bovino. Pode ser cultivada desde o nível do mar até 1.200 m de altitude em terrenos de consistência porosa e rica em matéria orgânica dissolvida. Pode ser cultivada em solos argilosos, arenosos, de terra vermelha ou amarelada, desde que se façam canteiros de no mínimo 20 cmde altura com terra em fofa e enriquecida com bastante matéria orgânica e folhas em decomposição. Ambas as espécies apreciam ser irrigadas a cada 2 dias.

 

Mudas: Suas sementes medem menos que 1 mm e tem tegumento ou casca muito dura, podendo ser armazenadas por até 3 anos sem perder o poder germinativo. Recomendo que as sementes sejam plantadas em jardineiras (com 40 cm de comprimento, x 15 cm de altura, x 20 cm de largura) contendo substrato feito de 50% de terra vegetal e areia de rio. As sementes devem ser cobertas com um leve polvilhamento de terra vegetal que deve ser levemente compactada. Fazer irrigação do tipo nevoa para não revolver as sementes. A germinação se inicia com 20 a 30 dias e as plântulas podem ser transplantadas para embalagens individuais quando estiverem com 5 folhas definitivas. As mudas atingirem 20 cm de altura em 3 a 4 meses após a germinação; As plantas iniciam a frutificação com 3 a 4 meses após a germinação. Também pode ser cultivada em vasos grandes e rasos ou em bacias ou em carinhos de mão bem posicionados no jardim.

 

Plantando: Pode ser plantada no sub-bosque ou em local sombreado em canteiros de 60 cm de largura, 35 cm de altura por 2 a 4 m de comprimento. Plantar as mudas no espaçamento 40 cm a 50 cm entre plantas e 1 a 1,5 m entre linhas ou canteiro.. Os canteiros devem receber 50% do volume de matéria orgânica + 20% de folhas moídas + 2 kg de calcário e 4 kg de cinza de madeira. Deixar curtir por 2 meses e fazer o plantio entre setembro a dezembro. Depois é só irrigar generosamente após o plantio e uma depois a cada 15 dias se não chover. Para plantar no vaso (de 25 cm de altura por 40 cm de largura) deve ser usado terra vermelha e a mesma mistura indicada acima, tomando o cuidado apenas de colocar uns 4 cm de pedra no fundo do vaso para ocorrer uma drenagem rápida.

 

Cultivando: A planta cresce rapidamente e não necessita de cuidados especiais, apenas deve-se retirar o mato regularmente para que este não sufoque a planta. Adubar com composto orgânico, pode ser 200 g por planta + 10 gr de N-P-K 10-10-10 que devem ser bem misturados e polvilhados delicadamente por baixo das folhas. Se a planta apresentar algum murchamento das folhas é sinal de que a superfície do solo está muito seca e é hora de irrigar.

 

Usos: Frutifica de Junho a agosto para P. angulata e de Julho a Setembro para P. pubescens. Os frutos têm delicioso sabor agridoce, podendo ser consumidos in-natura, ou usados para fazer sucos, doces ou sorvetes. A planta também pode ser cultivada com sucesso em pequenas estufas sendo uma ótima fonte de renda para agricultura familiar.

Utilização

O chá da raiz é diurético, sudorífico, contra icterícia, anti-reumático, hepato-protetor, anti-inflamatório. 

O chá das folhas serve para inflamação da bexiga e fígado. 

Os frutos contém vitamina C.

Uso medicinal

Purifica o sangue, diminui a albumina dos rins, fortifica os nervos ópticos, limpa as cataratas, alivia problemas de garganta e controla a amibiasis. 
Coadjuvante no tratamento do carcinoma de próstata e colesterol elevado. Povos nativos da Amazônia (Colômbiana, Peruana e Brasileira) e nordeste do Brasil, utilizam suas folhas, frutos e raízes no combate das seguintes doenças:


- Diabetes, 


- reumatismo crônico, 


- doenças de pele, 


- bexiga, 


- rins e fígado.

Estudos científicos recentes em andamento e ainda não concluídos revelaram forte atividade como estimulante imunológico combatendo alguns tipos de câncer além de efeito antiviral contra os vírus da gripe, herpes, pólio e HIV tipo 1. Mais recentemente cientistas da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará descobriram uma substancia chamada PHYSALINA que atua no sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados. A FioCruz e seus cientistas estão requerendo a patente desta descoberta.

Referências Bibliográficas

 

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