Canela (Cinnamonum verum J. S. Presl)

Canela

 

Nome Cientifico: Cinnamomum verum J.Presl

 

Nomes populares: Canela, canela da Índia, canela da China, canela do Ceilão, árvore de canela, cinamomo, cinnamon (Inglaterra), cannella (Itália), cánelle de Ceylan (França);

Ayurveda: As qualidades sátvicas fazem desta planta um eficiente rasayana para o tipo constitucional Vatta, atuando sobre o fluxo circulatório.

Aspectos energéticos: Sabor (rasa): picante, doce e adstringente.

                                           Efeitos energético (virya): quente.

                                           Efeito pós-disgestivo (vipak): doce.

Atuação nos Doshas: Vatta: equilibra.

                                         Pitta: aumenta.

                                         Kapha: equilibra.

É considerada uma planta masculina. 

Aspectos agronômicos: Planta da família Lauraceae, nativa do Sri Lanka, Índia e Indonésia, dispersa por todo o sudeste asiático. Aclimatou-se em outras regiões tropicais do mundo, incluindo o litoral nordestino brasileiro. Árvore perene, de clima tropical, adapta-se às regiões subtropicais não sujeitas a geadas intensas. Desenvolve-se a pleno sol. Pode servir como sombra para culturas de espécies medicinais de baixo porte. Requer solos de fertilidade mediana a alta, com boa drenagem, profundos e com bom teor de matéria orgânica. Responde a adubação orgânica para produção de folhas e cascas. Pouco exigente quanto à irrigação, podendo ser cultivada em sequeiro;

 

Propagação: Por sementes: Retiradas de frutos maduros e colocadas em bandejas com areia. Transplante para sacos de polietileno quando as mudas atingirem 10 cm, com 02 folhas definitivas. Por estaquia: Dos ramos novos, retiram-se estacas de 10 cm de comprimento e 0,8 cm de diâmetro. Estas devem ser enterradas até a metade em sacos plásticos com substrato para enraizamento;

 

Espaçamento: Fileiras simples: 2 X 3 m conforme o sistema de condução ou poda. Fileiras duplas: 2 X 2 m entre fileiras simples X 3 m entre fileiras duplas; Porte da planta: Pode atingir de 05 a 09 m de altura quando não podada;

 

Colheita:

A) Colher até 50% das folhas e ramos novos quando a planta já estiver com 2,0 m de altura.

B) Cortar o tronco a 40 – 50 cm de altura quando a planta atingir 03 anos; o segundo corte deve ser feito após 02 anos; separar o tronco e ramos grossos para retiradas de cascas; Rendimento: Produz em média 01 kg de casca seca/planta/corte e 5 a 7 Kg de folhas, ramos finos e brotos/planta, com rendimento de 0,2% de óleo;

 

Pragas: Tripes (Selenothrips rubrocintus), que ataca a gema apical. Formigas podem atacar ramos novos (CEPLAC, 1988). Lagarta minadora (Phyllocnistis chrysophtalma Meyrick) causa, em alta infestação, encarquilhamento das folhas. Outras lagartas podem causar danos às árvores de canela, principalmente a Chilasa clytia L (Butani, 1983);

 

Histórico: Foi uma das espécies aromáticas mais importantes da antiguidade (junto com a mirra e o incenso) e já era mencionada no antigo testamento. Recomendada na China antiga para o tratamento de doenças digestivas e menstruais. Descrita como medicinal em 1.275 pelo escritor árabe Kazwini. A partir da invasão Portuguesa no Ceilão, em 1.536, passou a ter importância comercial. Seu cultivo comercial foi iniciado no Ceilão pelos Holandeses, em 1.770. Teve muitas vezes boa parte da produção queimada, para manter seu preço;

 

Usos terapêuticos: Estimulante, aromático, anti-séptico, antiinflamatório (utilizado em quadros gripais), digestivo, carminativo (contra gases), anti-espasmódico (contra cólicas), miorrelaxante, inibidor da formação da placa bacteriana dental, inflamações de mucosa oral, ascaricida, emenagogo (promove contrações uterinas);

 

Outros usos: Um estudo do instituto de tecnologia alimentar de Bohnn (Alemanha) provou que a canela, o cravo, o orégano, a mostarda e o pimentão são excelentes produtos para a conservação de pães, mantendo-os livres de fungos por mais tempo;

 

Princípios ativos: Óleos essenciais, entre eles o aldeído cinâmico, eugenol, vanilina, cineol, pineno, betacariofileno, cumarinas, açúcares (manitol), taninos, mucilagens e resinas;

 

Partes utilizadas: Cascas secas. Folhas, ramos finos e brotos para retirada de óleo essencial; 

 

Formas de uso e dosagem:

 

Uso interno: Chá (decocção das cascas ou infusão do pó das cascas) – 25 a 50 gr/litro de água – 200 ml/dia; Extrato fluido: 02 a 10 ml/dia; Tintura: 10 a 50 ml/dia; Óleo essencial: 01 a 03 gotas/dia; Pó: 0,5 a 1,0 gr em água ou em leite quente, 3x/dia; Tempo de uso: Sem contra-indicações ao uso prolongado;

 

Efeitos colaterais: Pode provocar irritação de pele e mucosas pelo óleo essencial; aumento da pressão arterial, taquicardia, insônia e diarréia em doses elevadas;

 

Contra-indicações: Gravidez, lactação e pessoas com hipersensibilidade à canela. Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

Fontes principais de consulta:

 

-“Plantas aromáticas e medicinais – cultivo e utilização” – Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz . Londrina: IAPAR, 2008.

- “Tratado de fitomedicina – bases clínicas e farmacológicas” Dr. Jorge R. Alonso – editora Isis . 1998 – Buenos Aires – Argentina.

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