Guaco - (Mikania glomerata Spreng)

Guaco

Família: Asteraceae (Compositae)


Nome Científico: Mikania glomerata Spreng


Sinonímia Vulgar: Guaco-liso, guaco-de-cheiro, cipó-catinga, cipó-sucuriju, coração-de-jesus, erva-de-cobra.


Sinonímia Científica: Mikania guaco H. B. K.

Descrição:

 

Subarbusto trepador de ramos lenhosos, cilíndricos, estriados, castanhos, glabros, folhas pecioladas, pecíolo flexuoso, cordiformes, agudas no ápice e
cordiformes na base, 5 a 7 nervadas, com 1 a 2 lobos deltoides, glabros. Inflorescência em panícula-tirsoide, capítulos sésseis, reunidos em grandes glomérulos globoides ou obtusos no ápice dos ramos, invólucro de escamas pequenas, liguladas, glabras, corola infundibuliforme, limbo maior do que o tubo, fruto aquênio cilíndrico e glabro, papus de 30 cerdas vermelhas pardas e flexuosas. Flores brancacentas. As folhas secas são fracamente aromáticas e possuem sabor levemente amargo. O plantio é feito por estacas das partes mais velhas do caule. Existe uma espécie brasileira de mata ciliar (Mikania laevigata Schultz Bip ex Baker) que pode ser sucedânia da Mikania glomerata, possuindo as mesmas substâncias químicas e as mesmas
indicações medicinais. Esta espécie é mais adaptada a regiões mais frias, tem suas folhas mais delicadas e seu formato é mais elíptico.

HISTÓRICO:


- Originário da América do Sul, se desenvolve como trepadeira arbustiva, lenhosa, sem gavinhas, adaptando-se muito bem ao cultivo doméstico;
- Recebe também o nome de erva-das-serpentes, pois é utilizado como "contra veneno" em certas regiões.


Parte Usada: Folhas.


Formas Farmacêuticas: Infuso, decocto, tintura, extrato fluido, elixir, vinho ou xarope.


Emprego: Tônico, depurativo, febrífugo, peitoral. Expectorante, béquico, nas bronquites, asmas e gripes. Faz parte das espécies peitorais da farmacopeia. Tomar uma colher das de sopa 3 a 4 vezes por dia, do xarope, que é preparado com 6 folhas cortadas em 1 xícara média de água fervente, acrescentando 2 xícaras de açúcar. A alcoolatura é preparada com 100 g das folhas trituradas em 300 ml de álcool a 70 graus.


Constituição Química: Alcaloides, cumarina e derivados. Flavonoides, antraquinonas, esteroides/triterpenoides, leucoantocianidinas, saponinas, guacina (substância amarga), substância aromática, resina, taninos e ácidos fixos e voláteis.


Contraindicação: Em mulheres com fluxo menstrual abundante, pode provocar aumento do fluxo menstrual, devido às cumarinas. Contraindicado para pessoas com hepatopatias (antagonistas da vitamina K), trombocitopenias e coagulopatias. Também para pessoas que usam anticoagulantes ou heparina (aumenta o risco de sangramento). Não indicada para crianças com menos de 1 ano de idade e mulheres na menstruação.


Toxicidade: Quando usado em excesso, pode causar vômitos e diarreia, e predispõe o paciente a acidentes hemorrágicos.

INTERAÇÕES:


- Evitar seu uso associado a anticoagulantes.

POSOLOGIA:


- Xarope a 10%: 10 a 40 ml/dia.
- Infusão a 2% (04 gr por 200 ml de água a aproximadamente 80 graus Celsius, durante
10 minutos) – 50 a 200 ml por dia, de preferência morno;


DURAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO:


- Evitar o uso prolongado pelo risco de hemorragia (até 100 dias).


SUPERDOSAGEM:


- Pode causar náuseas e vômitos em altas doses, além de acidentes hemorrágicos.

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