HIPÉRICO - (Hypericum perforatum L.)

Hipérico

PARTE UTILIZADA: - Partes aéreas (folhas e flores).


HISTÓRICO:

Seu nome vem do Grego: hiper=sobre e eikon=imagem ou seja, aquele que está acima do imaginado. Arbusto perene, originário da Europa e oeste da Ásia, onde cresce espontaneamente em locais sombreados, foi citada no tratado “Matéria Médica” de Dioscórides (séc. III aC), e reconhecida na antigüidade como planta mágica, capaz de espantar maus fluidos, sendo usada para encantamentos e para curar enfermidades desde a idade média. Atualmente, é a planta medicinal com atividade antidepressiva mais pesquisada e conhecida no mundo. Somente na Alemanha, mais de 20 milhões de pessoas fazem ou fizeram uso regular do hipérico para o tratamento da depressão e sintomas associados. Faz parte de várias farmacopéias, incluindo a da Alemanha, além da Comissão E, Suiça, Inglaterra, Rússia, Polônia, Austrália, etc. No Brasil, faz parte da lista de registro simplificado de Fitoterápicos da ANVISA, como antidepressivo (vide resol. RE número 89, de 16 de março de 2004). É um pequeno arbusto com flores amarelas ou esverdeadas nativa da Europa, suas flores possuem pequenos pontos translúcidos nas suas pétalas que são mais bem observadas contra a luz e podem atingir até cerca de 1 metro de altura. Nas pastagens, o Hipérico é considerado uma erva daninha nociva que pode tornar a área improdutiva, inclusive por envenenamento do gado.

Outros nomes: hipericão, hipericão-vulgar, mal-furada, pelicão, flor-de-são-joão, milfurada, erva-de-são-joão, ibitipoca, hipérico-verdadeiro, tüpfel-johanniskraut (alemão), millepertuis (francês), St. Johns wort, amber, goat-weed, johnswort, klamath weed e tipton weed (inglês), iperico (italiano), hyperici (latim).

Partes Usadas: flores, folhas e O.E

Sabor: amargo e refrescante.


CONSTITUINTES:


- Óleo essencial; taninos; resinas; pectina; glicosídeos antraquinônicos(entre eles a hipericina); flavonóides (hiperosídeo, quercitina, rutina); catequinas; beta-sitosterol; saponinas; princípios amargos; carotenos; vitamina C.


AÇÕES:


- Anti-depressivo, calmante, sedativo, adstringente, digestivo, anti-inflamatório, cicatrizante para uso externo.


PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS:


- O conjunto de seus componentes, principalmente os princípios amargos e a pectina, asseguram sua ação digestiva;
- Os taninos têm ação adstringente;
- As saponinas estimulam a circulação sangüínea;
- A hipericina tem ação inibidora da MAO e COMT (catecol-o-metil transferase), exercendo ação calmante e anti-depressiva, aliviando inclusive os sintomas neurovegetativos associados. Outra ação relatada em trabalhos foi uma modulação na produção de citoquinas, com uma supressão da liberação de interleucina 6 e uma modulação aparente dos receptores de serotonina, inibindo sua recaptação e também da dopamina e da norepinefrina, efeitos estes, não encontrados em nenhum outro antidepressivo (ação nas 03 vias de recaptação), creditados ao extrato com todos os seus componentes, e não apenas a hipericina (“totum”).


INDICAÇÕES:

- Depressão leve a moderada; Depressão exógena; Depressão em remissão; Sintomas neurovegetativos e déficit da concentração, associados à depressão; Insônia; Nervosismo; Má digestão; Tratamento tópico de úlceras e queimaduras.


CONTRA-INDICAÇÕES


- Diabetes, gravidez, aleitamento, crianças menores de 12 anos e hipersensibilidade aos componentes da fórmula;


EFEITOS COLATERAIS:


- Raros, mesmo em idosos; usualmente, não causa sedação;
- Reações alérgicas cutâneas, fotossensibilidade em pessoas de pele clara e sensível (evitar a exposição solar excessiva e sem proteção), irritação gastro-intestinal em pessoas sensíveis, elevação dos níveis pressóricos.


USO DURANTE A GRAVIDEZ E LACTAÇÃO:


- Contra-indicado durante a gravidez e lactação.


INTERAÇÕES:


- Não há interação do hipérico com álcool;
- Pode ser associada à valeriana, passiflora e ao lúpulo para a insônia;
- Pode diminuir os efeitos da ciclosporina, digoxina, anticoncepcionais e anticoagulantes;
- Pode potencializar os efeitos de outros inibidores de MAO e inibidores da recaptação da serotonina, podendo levar a síndrome serotoninérgica.

Indicações (Uso Interno): acidez estomacal; afecções pulmonares; afecções das vias urinárias; depressão; diarréias crônicas; doenças pulmonares; enurese noturna; gota; hemorróidas; insuficiência hepática; enurese infantil; insônia; má digestão; mau funcionamento do fígado e dos rins; nervosismo; ulcerações internas; vermes intestinais; disritmia; epigastralgia; afecções ginecológicas; TPM, menopausa; fibrosites; neuralgia; convulsões; inflamações crônicas de estômago, fígado, rins e vesícula; herpes; hidrocefalia; gripe; icterícia; tumores; varizes; histeria; terror noturno; alterações neurovegetativas associadas ao climatério; espasmos digestivos; disquinesias biliares; ansiedade; estresse; cólicas menstruais; epistaxe; infecções uterinas; bronquite; dores de cabeça; Aids.

Indicações (Uso Externo): acne; feridas; caspa; queimaduras de primeiro grau; reumatismo; seborréia; cobreiro; ciática; chagas; varizes; feridas que envolvem danos nos nervos; hemorróidas; dores musculares causadas por contusões e excesso de atividade física; dores nas costas; parasitas cutâneos.

Indicações Pediátricas: as mesmas indicações para adultos e também para enurese noturna.

Utilizações na MTC: clareia o espírito, promove a circulação do Qi do Fígado por todo o corpo de forma suave; tonifica o pulmão; remove estagnação do Qi do Fígado.

Elemento predominante na MTC: Madeira.

Atuação nos Canais: F, BP, R, E e P.

Ayurveda (Ação nos doshas): reduz Kapha e Pitta e agrava Vata (em excesso).

Rasa: amargo.

Virya: fria.

Vipaka: picante.

Homeopatia: é um medicamento homeopático utilizado para dores e nervos danificados, depressão nervosa, do trismo e tétano (por ferimentos da palma ou planta do pé) de forma interna e externa. Também para nevralgias pós-operatórias, nevrite, coccydinia, hemorróidas comuns e das feridas laceradas. Seu uso externo se dá em feridas por pregos ou lascas por marteladas, por espinhos e corpos estranhos penetrantes. Feridas por armas de fogo, panarício, nevrite traumática, úlceras gangrenosas e sépticas, feridas dilaceradas e nevralgias traumáticas. Aplica loções mornas com 5% de T.M. FERIDAS – 15 gotas de Hypericum D3 antes de todas as refeições. LUMBAGO – 15 gotas de Hypericum D3 antes das refeições de 6 em 6 horas.

Contra-indicações: risco de interação com outras drogas; possibilidade de queixas gastrointestinais; náusea; coceira; fadiga; distúrbio do sono e dor de cabeça; pode promover fotosensibilidade com inflamação da pele e das membranas mucosas após exposição à luz, apesar de que esses efeitos adversos sejam raros. Deve ser evitada durante gestação e lactação. Evitar uso em pessoas com depressão crônica ou com diabete.

Interações medicamentosas: tem boa sinergia com Hamamelis virginiana e Calêndula officinalis para tratamento de contusões. Incompatível com alimentos e medicamentos que contenham tiramina. Evitar em pessoas que estejam tomando coquetel anti-HIV. Os mecanismos de muitas interações medicamentosas do hipérico com outras drogas envolvem um aumento do metabolismo intestinal (citocromo P450 [CYP] 3A4) e o metabolismo hepático (CYP 1A2, 2C9 e 3A4) e/ou um aumento da ativação da efluência da p-glicoproteína intestinal de uma forma clinicamente relevante. Os mecanismos para outras interações com o hipérico permanecem desconhecidos. Drogas com uma escala terapêutica estreita devem ser cuidadosamente monitoradas quando o hipérico for adicionado ou interrompido, ou se houver mudança na dosagem. Existe interação de H. perforatum com ciclosporina, anticoagulantes cumarínicos, anticoncepcionais orais, teofilina, digoxina, indinavir e possivelmente outros inibidores da protease e transcriptase reversa, prejudicando os efeitos destes. Isto ocorre devido à indução pelo H. perforatum da via metabólica envolvendo o citocromo P450. A utilização de H. perforatum concomitante a antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina e inibidores da MAO poderá causar síndrome serotoninérgica. Não é recomendado utilizar H. perforatum com drogas fotossensibilizantes como clorpromazina ou tetraciclina. O extrato de H. perforatum não demonstrou interação com o álcool em estudos farmacológicos, porém sabe-se que o álcool pode piorar o quadro depressivo.

Toxicidade: erva usualmente bem tolerada nas dosagens terapêuticas, porém deve ser ministrada unicamente sob a supervisão de profissional gabaritado.


POSOLOGIA:


- Início da ação após 03 a 04 semanas de tratamento.
- Uma ou duas cápsulas – 300 mg - à noite para insônia.
- Uma a três cápsulas ao dia para depressão (às refeições).


DURAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO:


- Evitar o uso interno ininterrupto e prolongado.


SUPERDOSAGEM:


- Irritação cutânea e fotossensibilidade, em altas doses e no uso prolongado.


CUIDADOS NO ARMAZENAMENTO:


- Armazenar em recipientes hermeticamente fechados, em ambiente seco e arejado e ao abrigo da luz solar.

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