Louro (Laurus nobilis L.)

Loureiro

Nome científico: Laurus nobilis L.

Nomes comuns: Loureiro, Louro, Sempreverde, Loureiro-comum, Loureiro-dos-poetas, Loureiro-vulgar

Família: Lauraceae

Parte Usada: Fruto.

Origem: Região mediterrânica 

O loureiro é uma árvore ou arbusto de folhas permanentes e um ciclo de vida perene. Apresenta uma copa ovada, densa e irregular. Possui um tronco direito e, normalmente, atinge 5 a 10 metros de altura, podendo alcançar os 20 metros. As suas folhas são de cor verde-escura, coriáceas, glabras e brilhantes nas duas páginas. Têm um formato oval e margens ligeiramente onduladas, são aromáticas e reconhecem-se facilmente pelo aroma agradável e característico quando se esmagam.

Sendo uma planta dióica cada planta produz somente flores masculinas ou femininas. Estas, em ambos os casos, encontram-se dispostas em agrupamento de 4 a 6, nas axilas das folhas com os ramos. As flores masculinas são amareladas e as femininas brancas. Os seus frutos são ovóides (forma de ovo), tipo baga (parte externa do fruto é carnosa e contém uma semente no centro), verdes e brilhantes no início da sua formação, ficando negros quando maduros.

Propriedades e utilizações:


Esta planta tem propriedades adstringentes, diuréticas e estimulantes do apetite. As suas folhas são utilizadas em chá, indicado para problemas digestivos. O óleo extraído de suas folhas é usado em massagens para aliviar a artrite e reumatismo.

A principal utilização das folhas de loureiro é como condimento em vários pratos culinários (em carnes e cozidos, arroz, pratos com feijão, molhos, sopas, peixes, caldeiradas, pratos de batatas, guisados e estufados), dando-lhes um sabor característico. Diz-se que “com o louro os portugueses inventaram a vinha-d’alhos (vinho, alho e ervas) ”.

Formas Farmacêuticas: Extrato fluido, decocto, xarope, tintura e infuso.


Emprego: Estimulante e resolutivo. Antisséptico e irritante é também usado na medicina veterinária. Para uso interno, recomenda-se macerar em vinho tinto 30 g por litro, deixar 9 dias e tomar 3 xícaras ao dia, para amenorreia. No infuso, usar 2 folhas em 1 xícara de água, adoçar e tomar quente à noite. O fruto, macerado em azeite por alguns dias, pode ser usado em massagens contra reumatismo.


Constituição Química: As folhas secas de loureiro possuem óleo essencial, sendo o cineol na maior proporção e, ainda, eugenol, pineno, ácidos orgânicos (acético, isobutírico, valeriânico); terpineno, sesquiterpênico.


Interações Medicamentosas e Associações: O β-mirceno do óleo essencial pode atuar em certas enzimas, diminuindo o nível no sangue das drogas metabolizadas por elas.


Contraindicação: Para mulheres grávidas. Não deve ser usado por pessoas com alergia ao loureiro. O óleo pode provocar dermatite.


Toxicidade: A folha do loureiro pode perfurar o trato gastrintestinal devido à sua consistência rígida. É seguro usá-lo como tempero em pó, óleo, extrato e óleo-resina.

As folhas podem ser usadas frescas ou secas, inteiras ou moídas. Existem diferentes teorias relativamente à forma como devemos utilizar o louro na cozinha: há quem diga que se deve retirar a nervura central, que apenas se deve utilizar a folha seca, que se deve cortar as pontas das folhas ou usar apenas metade de uma folha… Contudo, o importante será juntar o louro no início da cozedura e quando as suas folhas forem usadas inteiras devemos retirá-las ao servir o prato, pois têm uma consistência coriácea mesmo depois de cozidas. Esta planta pertence a uma família de plantas venenosas, mas usada com moderação será benéfica. Em altas doses pode ser abortiva. O óleo extraído de suas folhas é usado na indústria de perfumes e quando esfregado no pelo dos animais é eficaz contra moscas. No jardim, esta planta é muito ornamental e aromática. Como tolera as podas pode ser usada em sebes e topiaria. O loureiro é uma planta resistente a pragas e doenças, dizendo-se, ainda, que protege as plantas vizinhas.

As suas folhas aromáticas podem ser usadas como um repelente de insetos, por exemplo, para proteger o grão e o feijão dos gorgulhos.

A sua madeira branco-rosa é dura, pesada e com um agradável cheiro, mas de pouca longevidade. 

 

Cultivo: O loureiro é uma planta autóctone em Portugal Continental, podendo ser encontrada naturalmente em matagais e bosques, geralmente em vertentes sombrias ou no fundo de barrancos, sobre solos frescos. Trata-se de uma espécie que pode integrar ecossistemas ripícolas. É uma planta de crescimento lento e embora pouco exigente quanto ao tipo de solo prefere-os leves e frescos. Trata-se de uma espécie de semi-sombra, que necessita de precipitações ou rega nos meses de verão, resistindo moderadamente ao frio. A planta pode tolera ventos fortes, mas não de exposição marítima. Multiplica-se por semente e estacas (e para que a propagação por estaca seja bem sucedida, precisa de bastante humidade no solo).

Curiosidades: O nome do género Laurus,parece derivar do nome celta lawr oublawr, que significa verde, alusivo à sua folhagem sempreverde; O nome da espécie, nobilis, deriva do latim e significa "notável, nobre"; O louro é uma planta conhecida desde a Grécia antiga, onde as coroas feitas com as suas folhas eram entregues aos vencedores de competições como símbolo de vitória (“louros da vitória”); O seu aroma levou o homem a espalhar o loureiro por toda a Bacia  do Mediterrâneo, sendo difícil determinar a sua zona de origem por se ter difundido muito a sua cultura; Esta planta vive cerca de 80 a 100 anos; Segundo algumas lendas, esta seria a única árvore que não era atingida pelos relâmpagos das trovoadas; Os louriçais portugueses são, em regra, formações arbustivas altas e densas que, integram sempre um grande número de trepadeiras e plantas de porte herbáceo; Não devemos confundir as suas folhas com as do loureiro-cerejo (Prunus laurocerasus L.) que é uma planta venenosa; O loureiro (L. nobilis) pertence a uma espécie distinta das que ocorrem nas ilhas: L. azorica nos Açores, e L.. novocanariensis na Madeira que se distinguem do primeiro pelas nervuras secundárias muito retas, salientes que atingem a margem, e ainda pelo indumento das folhas e pecíolos castanho-acobreado; Popularmente diz-se que há o “loureiro” (loureiro-macho) e a “loureira” (loureiro-fêmea) e que se distinguem através das folhas, sendo a folha do primeiro larga e a do segundo estreita. Contudo, sabemos que só se distinguem pela floração (as flores masculinas são mais amareladas e as femininas mais esverdeadas) e pela frutificação (apenas as plantas femininas produzem frutos).

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