Maracujá - (Passiflora edulis Sims)

Passiflora edulis Sims.
Passiflora edulis Sims
Passiflora alata Curtis.
Passiflora encarnata L.
Passiflora caerulea L.

Maracuja

Família: Passifloraceae


Nome Científico; Passiflora edulis Sims


Sinonímia Vulgar: Maracujá-azedo.

Descrição: Trepadeira vigorosa, glabra com gavinhas. Folhas alternas, trilobadas, com duas pequenas glândulas nectaríferas na base do limbo próximas à inserção do curto pecíolo, com estípulas na base lineares subuladas, com lobos mucronados, serrilhados. Inflorescência com pedúnculo robusto. Flores isoladas, grandes e brancas, com sépalas verdes na face inferior, e petaloides na face superior, com coroa de estaminódio roxa, estigma e estiletes trífidos sobre androginóforo. Ovário ovoide ou globoso, seríceo-tomentoso. Frutos de cor amarelo ou purpúreo. Sementes ovais e reticuladas. Muito cultivada em Minas Gerais.


Partes Usadas: Folhas e suco do arilo da semente.


Formas Farmacêuticas:  Decocto e sumo.


Emprego:  A folha fresca é utilizada no tratamento da hipertensão e para induzir diurese. Externamente, em banhos nas varizes, feridas e homorroidas. Calmante e hipnótico, o suco dos frutos em dose de 10 ml/kg produziu um efeito tranquilizante em ratos. Infuso e decocto a 5%, de 2 a 3 xícaras ao dia; extrato fluido, de 2 a 10 ml ao dia.


Constituição Química:  Apresenta alcaloides indólicos, vários sesquiterpenos, cumarina, ácidos cafeico, clorogênico e p-cumárico, esperidina, passiflorina, vitexina, quercetina, β-sitosterol, estigmasterol, prunasina, compostos azotados, luteolina, glicosídeos cianogênicos, umbeliferona, rutina, quercetina e outros compostos em menor quantidade.


Interações Medicamentosas e Associações:  Pode haver potencialização dos efeitos com o álcool, depressores, anti-histamínicos, do sono induzido pelo pentabarbital e também dos efeitos analgésicos da morfina. Como coadjuvante da clonidina, potencializou seu efeito para tratar dos sintomas mentais na abstinência de opiáceos. A vitamina K pode antagonizar o efeito anticoagulante da varfarina, mas não da heparina.


Contraindicação: Na gravidez, devido ao efeito estimulante do útero. Na depressão, por causa do seu efeito sedativo.


Toxicidade: Uso restrito em indivíduos com hipertensão. Deve-se, ainda, controlar o uso das folhas na forma de chá, pois existem riscos de intoxicação cianídrica, consequente ao uso de dose acima da recomendada. A semente triturada é tóxica e não deve ser ingerida. Pode causar depressão, alteração de consciência, vertigem, perturbação do trato gastrintestinal, aumentar a frequência respiratória e reduzir a pressão arterial. Pode causar, também, taquicardia e vasculite.

Etimologia

Edulis vem do Latim edule, que significa comestível, devido aos frutos comestíveis.

Propriedades Fitoquímica

Composição por 100 g de parte comestível: Calorias, nutrimentos e minerais Calorias 90, Proteínas 2,2(g), Lipídios 0,7(g), Glicídios 21,2(g), Fibra 0,7(g), Cálcio 13(mg), Fósforo 17(mg), Ferro 1,8(mg) Composição por 100 g de parte comestível: Vitaminas Vitamina B1 0,03(mg), Vitamina B2 0,13(mg), Niacina 1,5(mg), Vitamina C 30(mg)

Fitoterapia

Na medicina popular as folhas são utilizadas como calmante, diurética, hipertensão, insônia, dores de cabeça, contra irritações do aparelho bronco-pulmonar, e a raiz da planta em decocção tem uso como emenagogo, e antigotoso(folhas em decocção). É uma das 71 plantas medicinais autorizadas pelo Ministério da Saúde para serem utilizadas e distribuídas pelo SUS, e o uso indicado é como calmante.

Comentários

Existe na natureza duas formas: P. edulis Sims f. edulis, que possui fruto de cor roxa (normalmente selvagens), e P. edulis Sims f. flavicarpa Deneger, de frutos amarelos ou amarelos-esverdeados (cultivadas). (CERVI, 2008, p. 3).

Bibliografia

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