MENTRASTO (Ageratum conyzoides L.)

MENTRASTO


Família: Asteraceae (Compositae)


Sinonímia: Camará opela, caatinga de barão, catinga de bode, erva de santa lúcia, erva de são joão, erva de são josé, erva maria, maria preta, picão roxo, são joão, mentraço, mentraz, mentruz


Origem: Centro Oeste e Sudeste do Brasil.


Descrição: Planta anual, herbácea, ereta, caules revestidos de pelos alvos, medindo 30cm a 1,0 m de altura. As inflorescências são terminais, em forma de capítulos. Folhas opostas, membranáceas, pubescentes, de pecíolos longos, com 4 a 9cm de comprimento. Vegeta em qualquer tipo de solo, mas desenvolve melhor em solos férteis e com elevado teor de matéria orgânica.


Uso farmaco-terapêutica: Reumatismo, diarréia, cólicas.


Propagação: Por sementes, sua germinação é alta.


Parte utilizada: Toda a planta.


Constituintes químicos principais: óleo essencial, compostos cumarínicos e benzofuranas, alcalóides, flavonas, flavonóides e cromonas.


Formas farmacêuticas habituais: Infusão, chás.


Indicação, Preparo e Posologia: Cólicas uterinas, diarréia e disenteria, flatulência, reumatismo agudo, artrose, contusões, ferimentos abertos, afecções das vias urinárias, gases e estimulante do apetite. Tem uma ação vasodilatadora e antiespasmódica, devido seus componentes serem derivados da benzopirena.


Uso interno: chá por infusão 20g por um litro de água, tomar 4 a 5 xícaras por dia.


Uso externo: como cataplasma sobre as articulações no caso de reumatismo e artrites.

A Erva-de-São-João está se tornando uma planta medicinal cada vez mais solicitada em nosso tempo, por ser usada como um remédio para um mal do nosso século que é a depressão. Como se trata de assunto muito importante e de responsabilidade, vamos esclarecê-lo com muito cuidado.
Tanto em transmissões orais como escritas, há informações sobre duas Ervas-de-São-João: uma é da Europa, outra daqui. A da Europa tem o nome científico Hypericum perforatum, da família Hypericaceae.

 

A nossa Erva-de-São-João tem o nome científico Ageratum conyzoides, da família Compositae. São, portanto, duas plantas diferentes, mas com uma
propriedade comum: combater a depressão. A nossa Erva-de-São-João é também chamada mentrasto. A Erva-de-São-João europeia pode ser encontrada entre nós, mas somente como cultivada. É chamada hipericão.


A nossa Erva-de-São–João ou mentrasto não deve ser confundida com o Cipó-de-São-João, que é outra erva medicinal. Um livro tradicional sobre nossas plantas medicinais diz que esta planta é de largo uso empírico, dadas as suas valiosas propriedades medicinais, que dela fazem um remédio que goza da melhor reputação entre a gente humilde que habita o interior do nosso país. É tônico geral, amargo. Indica-se ainda no tratamento das diarréias, disenterias, cólicas produzidas pelo acúmulo de gases nos intestinos; reumatismo agudo etc.


Bibliografia bem recente indica a Erva-de-São-João para artrose, reumatismo, contusões, ferimentos abertos, diarréias e disenterias, cólicas uterinas, afecções das vias urinárias, gases e estimulante do apetite. Acrescenta ainda que seu efeito terapêutico é cientificamente confirmam sua ação analgésica e antiinflamatória.


Seu uso para combater a depressão parece ser mais recente e, como se trata de uma planta nativa nossa, faltam informações em publicações  acessíveis. Entretanto, este seu uso está sendo confirmado pela informação e tradição popular.

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