Sete Sangria (Cuphea calophylla  Cham. & Schltdl.)

Cuphea carthagenensis (Jacq,) J.F. Macbr.
Cuphea racemosa (L.f.) Spreng.
Cuphea calophylla Cham. & Schltdl.

Sete Sangria

Nome CientificoCuphea carthagenensis (Jacq,) J.F. Macbr.

Familia: Angiospermae - Lythraceae

Sinonímia Científica: Cuphea balsamona (L.) Cham e Scheecht; Lythrun cartagenense Jack; Balsamona pinto Vand.; Parsonsia balsamona (Cham. e
Scheecht) Standl.

Nome Popular: sete sangria, pé de pinto, erva de sangue, guaxuma vermelha.

Introdução

Algumas espécies de Cuphea, conhecidas popularmente no Brasil por sete-sangrias, são utilizadas para fins terapêuticos como diaforéticas, diuréticas, laxativas e, especialmente, no controle da hipertensão arterial e prevenção da arteriosclerose.  Para os fins terapêuticos, são empregadas todas as partes da planta adulta (Lorenzi & Matos 2002). O referido gênero constitui-se num grande potencial para as indústrias química, alimentícia e farmacêutica, pois as espécies apresentam ácidos graxos de grande importância (Amarasinghe et al. 1991). Dentre outras espécies, Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.F. Macbr. se destaca pelo emprego frequente na medicina popular, com efeitos terapêuticos investigados nos últimos anos.

Parte Usada: Toda a planta.


Formas Farmacêuticas: Infuso ou decocto.


Emprego: Arteriosclerose, hipertensão arterial e palpitações cardíacas. Limpa o estômago e intestinos. Combate também doenças venéreas e afecções da pele. Do infuso e decocto usar 1 colher das de sopa de sete-sangrias para 1 litro de água. Tomar uma xícara de chá morno sem adoçante por dia.

 

Possui atividade anticolinesterásica e um efeito musculotrópico independente, capaz de potencializar um efeito contrátil máximo de um agonista.


Constituição Química: Mucilagens e pigmentos; os outros componentes ainda estão em estudo.


Contraindicação: Seu uso não é aconselhável para crianças.

Características

As espécies de Cuphea exibem a maior diversidade de tipos de tricomas dentre os gêneros de Lythraceae. Estes apêndices podem estar distribuídos nas folhas, nos caules e nas flores, sendo que todas as espécies apresentam ao menos um tipo.  Aliados a outros caracteres, os tricomas apresentam grande importância taxonômica na identificação das espécies de Cuphea (Amarasinghe et al. 1991).

Porte

De 20 a 60 cm de altura

Caule


Caule revestido por pelos glandulares vermelhos e ásperos.

Folhas

Folhas com 0,9 a 3,5 cm de comprimento e 0,4 a 1,6 cm de largura, simples, opostas, elípticas a lanceoladas, ásperas, pecioladas, pubescentes

Flores


Flores com 2 bracteolas, dispostas nas axilas das folhas, cerca de 0,5 cm de comprimento, cálice gamossépalo, internamente piloso, pétalas violáceas ou rosadas, obovadas, presas no ápice do cálice, estames inclusos, inseridos mais ou menos na metade do cálice, ovário súpero.

Propriedades


Schuldt et al. (2000) observaram o relaxamento da aorta toráxica em ratos, resultante da utilização do extrato butanólico das partes aéreas de C. carthagenensis e consideraram a espécie como benéfica no tratamento e na prevenção de doenças cardiovasculares. 

Schuldt et al. (2004) constataram a atividade antioxidante das folhas de C. carthagenensis, indicando esta como atuante no controle da hipertensão arterial e no tratamento e na prevenção da arteriosclerose. 

Os efeitos terapêuticos da espécie incluem: atividade antibiótica sobre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas (Duarte et al. 2002), redução dos níveis de colesterol em ratos (Biavatti et al. 2004) e atividade antiviral sobre o Herpes simplex vírus tipo I (HSV1) (Andrighetti-Fröhner et al. 2005). 

Dessa maneira, C. carthagenensis representa uma importante fonte de compostos ativos, com grande potencial terapêutico.

Adstringente, antidiarréica, anti-hipertensiva, antiobésica, anti-reumática, anti-sifilítica, balsâmica, cardiotônica, depurativa do sangue, digestiva, diurética, diaforética, emenagoga, febrífuga, hipocolesterolêmica, hipotensora, sedativa, sudorífera, tônica.

Toxicidade


A literatura consultada não informa sobre efeitos adversos nas doses recomendadas. 

Doses altas podem causar diarreia (Terra ,água e chá 1995); não é indicado o uso em crianças ( LORENZI 2008 ).

Uma pessoa que usou a Cuphea carthaginensis referiu ter tido reação alérgica (coceira pelo corpo, picaçada) e que, após três tentativas de uso com a mesma reação , atribuiu o fato ao uso da planta.(informação coletada por Simionato,C.)

Princípios Ativos

Estudos demonstraram que as partes aéreas de Cuphea carthagenensis contêm os ácidos graxos, ácido láurico e ácido mirístico, ß-sitosterol, estigmasterol, ß-amirina, ácidos betulínico e ursólico, além da nova substância cartagenol (GONZÁLEZ et al., 1994).

Glicosídeos, ácido botulínico, flavonoide, mucilagem, óleos essenciais.

Indicação


Afecções da pele, afecção venérea, arteriosclerose, bactérias gram-positivas, colesterol, diarreia, doenças venéreas, eczema, febre, febre intermitente, feridas, furúnculos, hipertensão arterial, inchaço das pernas, inflamação das mucosas, limpeza dos intestinos e rins, palpitações cardíacas, manifestação sinfílica secundária, reumatismo, sífilis, úlceras na pele.

 

Utilização

Segundo as comunidades da Ilha de Santa Catarina


As partes aéreas C. carthagenensis são empregadas na forma de decocto, internamente como depurativo do sangue, para ativação da circulação, em distúrbios do coração, para diminuir a taxa de colesterol e para diabetes.

Outra espécie de sete-sangrias , a C. calophylla Cham.& schltdl. é utilizada nestas comunidades com as mesmas indicações.

Segundo a literatura, as plantas do gênero Cuphea são consideradas na medicina popular como laxativas e anti-inflamatórias (SOEZIMA et al., 1992); febrífugas (HOEHNE, 1939; GONZÁLEZ et al., 1994); depurativas (HOEHNE, 1939; GRENAND et al., 1987). 

Na Guatemala, o decocto de Cuphea carthagenensis é utilizado no tratamento da gonorreia e no Brasil é usado como antimalárico. 

No México, o extrato aquoso das folhas frescas de Cuphea calophylla é utilizado como hipotensor e diurético. 

Cuphea glutinosa é considerada emenagoga e o decocto de Cuphea strigulosa é usado no Peru como antidiarréico e estomáquico (GONZÁLEZ et al., 1994), em irritação das vias respiratórias e insônia como indicação popular, e uso comprovado na prevenção de doenças cardiovasculares, diminuição do colesterol e e antioxidante (MARONI 2006 plantas botucatu); em doses mais concentradas o infuso é usado externamente para psoríase e outras dermatoses (FRANCO 2004 med. Dos simples).

Uso medicinal


Infuso - uma colher de sobremesa da parte aérea em 1 xícara de água ,tomar até 3 xícaras ao dia.

Xarope - preparar ao infuso 1 xícara média de açúcar, levar ao fogo até dissolver e tomar uma colher de sopa 3 vezes ao dia para tosse, respiração difícil e insônia (LORENZI 2008)

Observações


Várias espécies de Cuphea são denominadas popularmente "sete-sangrias". Este nome foi dado pelo caboclo brasileiro por acreditar, ainda no tempo em que se usava fazer sangria nos doentes, que seu infuso valia por sete "sangrias". 

O gênero Cuphea, com mais de 200 espécies, encontra-se distribuído em vários países, sendo no Brasil a sua maior representação (HOEHNE, 1939).

Existem no Brasil outras espécies deste gênero com características, propriedades e nomes populares semelhantes: Cuphea racemosa (L.f.)Spreng. , Cuphea mesostemon Hoehne e Cuphea calophylla Cham&sch.

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